Mas que maravilha. Finalmente encontramos o caminho da independência tão sonhada pela galera das margens do ipiranga: Ter. Quanto mais "tivermos", melhor. E não é diferente com os cristãos. Devemos traçar nossa vida no "ter": ter dinheiro, ter contas bancárias, tudo ter.
E o mais legal de tudo: capitalizar. Lucros.
Hoje, por menos de R$ 1000,00 eu não consigo alugar a casa de retiros da minha paróquia para fazer um evento que leve as pessoas a uma experiência de Fé. Afinal, "eles" (parece título de filme do Stephen King), os membros do conselho, querem ampla margem de lucro para poder trabalhar.
Mas são os novos tempos. E você e eu não podemos reclamar que as casas católicas de retiros cobrem "os olhos da cara" para que os católicos usufruam de suas instalações 5 estrelas. E não reclame de seu pároco, não. Você paga verdadeiros absurdos para assistir ao show de bandas católicas e de padres cantores. Comprou uma pilha de leite em pó para trocar por convitinhos de show. Você compra a cadeira cativa para poder "estar pertinho" de seu ídolo sertanejo só porque ele gravou "Jesus Cristo" ou a "Ave maria do Morro". Você investe "grana" para manter o seu político-amigo na assembléia de seu estado e o alto padrão de vida de alguns magistrados da fé. Você é cúmplice das tragédias familiares quando compra a sua "cervejinha" na festinha da quermesse (lembre-se que a Igreja tem a pastoral da sobriedade). Faz até "pactos políticos" para que o evento de sua comunidade ou movimento possa se viabilizar. Enquanto isso, quem realmente fala de Jesus está passando fome. Então, não reclame se não tiver um salão que não seja o da polícia militar para fazer os seus retiros.
Você e eu estamos alimentando uma nova indústria. E a fé deixa de ser fundamento da esperança para torna-se negócio. Bem, acho que estou sendo radical. Eu também gosto de dinheirinho. Vou começar a cobrar para falar de Jesus. Alias, quanto você me dá para colocar este meu artigo em seu blog?
Silvinho Zabisky
Comunidade Beatitudes

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