Refletindo o Evangelho do Apóstolo amado, São João, em Jo 8.1-11, mais uma vez, Jesus mostra que a pessoa humana está acima de qualquer lei. Os homens não podem julgar e condenar porque nenhum deles está isento de pecado. O próprio Jesus não veio para julgar, pois o Pai não quer a morte do pecador e, sim, que ele se converta e viva. No pensamento de Jesus, a comunidade é lugar de perdão, de misericórdia e, não, de julgamento e condenação. Jesus está sempre junto ao pecador, sabe compreendê-lo e amá-lo.
O perdão de Jesus deixa entrever, em meio à miséria moral, a capacidade de crer e amar, talvez abafada pela mediocridade daqueles que condenavam a mulher, projetando sobre ela o seu próprio pecado.
Não basta observar a lei para ser justo perante Deus. Muitas vezes, habituados com nossa situação de cristãos, não percebemos a necessidade de rever nossas posições e descobrir a novidade revelada por Cristo.
A falsidade, a malícia e a superficialidade fazem que nos ocultemos sob máscaras de bondade, marginalizando aqueles que classificamos como indignos de conviver conosco. A impressão de que somos melhores desencadeia uma falsa idéia de nós mesmos e o conseqüente desprezo dos preferidos de Deus.
Neste final de semana, diante da proposta da liturgia dominical, devemos fazer a seguinte pergunta: E quem são os preferidos de Deus? São os indefesos, os humildes, os que reconhecem seus erros e se arrependem.
Lançar pedra nos outros é cômodo. Apontar o erro alheio é fácil e constitui um ato egoísta. Não podemos ser aqueles pessoas que vivemos caluniando os outros por inveja, calúnia e disputa de poder, os grandes pecados dentro e fora dos homens que seguem a Jesus e não compreenderam o seu Evangelho e a sua chamada universal para a conversão e mudança de vida.
Quando Nosso Senhor Jesus Cristo disse: “Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar a pedra”, ele transformou aqueles juízes implacáveis em réus. A consciência lhes pesou e eles foram se retirando, um a um, a começar pelos mais velhos. Perceberam que é preciso olhar para nós mesmos e reconhecer os próprios defeitos para poder entender que a mulher adúltera significa algo de nós, frágeis pecadores.
Como o perdão vivifica! Jesus disse à pecadora: “Ninguém te condenou?” Ela respondeu: “Ninguém, Senhor.” Disse-lhe então Jesus: “Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar”.
Nesse instante, aquela mulher oprimida pelo peso dos pecados e pelo julgamento e condenação dos homens, arrependida de sua vida mal vivida, acolhe a vida que Jesus lhe oferece. E ela ficou cheia do amor de Deus. Daí em diante, ela se tornou uma nova mulher.
Que nós entendamos que um pouco da mulher adúltera existe dentro de nós e também um pouco desses juízes radicais que julgam os outros e se esquecem dos seus próprios erros.
Jesus perdoa à adúltera porque ela reconheceu seus erros e se arrependeu. Saibamos também reconhecer, cada um de nós, os nossos erros e apresentá-los ao Senhor, com arrependimento e propósito de regeneração e receberemos d'Ele, com muito amor, o perdão que nos traz a paz e a vida. É esse o grande compromisso da Quaresma, que é a passagem do pecado para a graça, para vivermos a santidade batismal.
Fonte:
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora

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