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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O rock na Igreja


O convidado desta semana no Podmúsica é o vocalista da banda Rosa de Saron, Guilherme de Sá.

Nascida em 1988, a banda começou no estilo heavy metal. De lá para cá muita coisa mudou e atualmente o estilo musical se encaixa no pop rock. As músicas do conjunto são profundas e falam sobre sentimentos, desafios e experiências, levando os jovens à reflexão.

O rock na Igreja e a música-mensagem são os assuntos de hoje do Podmúsica.
Confira:


Guilherme - vocalista da Banda Rosa de Saron
Foto: Wesley Almeida

O Rosa de Saron sofreu certo preconceito no início por trabalhar com o rock na Igreja. Como a banda driblou isso?

Foi uma fase difícil. Principalmente para os outros três que estão na banda há mais tempo que eu, pois eu já peguei uma fase mais fácil. A gente já adquiriu um estilo um pouco mais leve e isso ajuda um pouco no preconceito, mas eles penaram muito para chegar aonde chegaram. Tudo evolui nesta vida e com certeza o pensamento humano também evolui. Eu acho que é só você sendo testado e provado no fogo para você ter o seu alicerce realmente forte. É isso que a banda tem hoje, a gente tem um alicerce muito forte, na rocha mesmo. Embora não levantemos a bandeira de rock, pois não gostamos de adotar um estilo, porque automaticamente você que é do rock e acaba jogando muito fora os outros estilos. Por essa razão a gente não gosta muito de se rotular como roqueiros. Mas eu acho muito importante essa diversidade da música na Igreja, isso só tem a contribuir para o crescimento da própria Igreja, do próprio público dela. Ainda mais no Brasil, que é tão multicultural, então a gente está relacionado a todo o tipo de cultura e acaba partilhando tudo com pessoas diferentes, de outros contextos, de outro estilo de vida, de outro modo de enxergar as coisas. Por isso é difícil você se basear em um ritmo só. A gente tem orgulho de dizer que faz parte dessa Igreja hoje, com certeza muito mais católica do que nunca, e poder contribuir com esse espaço. Porque se não fossem as histórias que a gente recebe das pessoas, com certeza, a gente estaria cheio de dúvidas. São essas respostas que a gente sempre procurou, que a gente recebe toda semana. A gente tem certeza de que está no caminho certo.

Como é o seu relacionamento com Deus e quando nasceu o desejo de evangelizar por meio da música?

Eu me converti em 1997, mas eu sempre tive muitos problemas com a autoaceitação e era bastante depressivo. Mas eu acho que imediatamente quando eu entrei para a Igreja eu já quis trabalhar para ela [Igreja]. Isso não é mérito, muito pelo contrário, é necessidade. Eu fui tentando suprir as minhas necessidades, fui conhecendo pessoas que foram me abrindo esse espaço, que foram abrindo caminho. Toda a minha trajetória, tudo que eu percorri até hoje foi muito de Deus. Ele foi abrindo as portas e também foi as fechando, porque vale a pena dizer também que quando uma porta se fecha também pode ser Deus. O Senhor tem cuidado do nosso caminho, especialmente do meu de maneira particular. Eu tenho muito o que agradecer a Deus, porque é a minha história. A minha história é a Igreja, eu devo muito mais à Igreja do que às pessoas; estas vêm falar da nossa música e vêm agradecer; mas eu agradeço à Igreja.

Você é considerado por seus amigos “uma máquina de fazer música”. Como surgem as inspirações para as suas letras?

Da vida. Eu acho que assim, nós estamos em uma fase de disco novo e todas as músicas foram compostas na estrada, observando o cotidiano, pegando uma cultura daqui, outra dali. Isso serve para ampliar muito nossos horizontes. Então a gente procura escrever o que a gente viveu e o que a gente vive. Mais do que nunca a gente está focado nisso, enquanto a gente colocar a nossa vida nas letras, o que a gente realmente pensa, nós estaremos no caminho certo. Porque a vida sempre fez parte da letra do Rosa de Saron; essa é a fórmula. Eu acho que isso torna o nosso trabalho exclusivo e autêntico e isso é uma coisa que a gente nunca vai querer perder.

Qual de suas canções você mais gostou de compor? Por quê?

Depende. Se for para citar uma música que a gente já gravou, porque as do novo CD eu não posso dizer, sem dúvida, é “Rara calma”. Pela qualidade musical da música e também pelo que a letra significa para nós, porque foi a maneira que a gente pôde escrever e eternizar este trabalho novo nosso. Depois de 20 anos, até então, nós estamos juntos ainda. Espero que ainda por mais 20.

Muito obrigada pela sua participação no Podmúsica, Guilherme. Para terminar, eu gostaria de pedir que você desse uma palhinha de “Rara Calma”, sua composição preferida.

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